segunda-feira, 29 de março de 2010

A geração que questiona e adia a maternidade

Acabei de ler um post do blogue A vida de saltos altos e faço questão de o colocar aqui.

Não vou alongar-me mais porque o texto é bastante explícito. Quero apenas acrescentar que, qualquer que seja a razão pela qual uma mulher resolve adiar ou até mesmo não ter filhos, deve ser respeitada.

"Muita tinta tem corrido no país, e no mundo, sobre a questão das mulheres adiarem, cada vez mais, a idade de ter filhos. Confesso que quem trabalha mais de 8 ou 9 horas por dia, que gosta de dormir nas manhãs de fim de semana e até gosta de sentir direito a ter vida pessoal, aliado ao facto de ter um rendimento mensal miserável, num país que considera 800 euros um ordenado acima da média (e que se o PEC for aprovado vai também sofrer agravamento a nível de impostos), de facto, a ideia de ter filhos aliada à falta de segurança, decididamente não combina, a não ser que vejamos o tiro no pé como saída mais aceitável.

Sim até pode parecer egoísta, e possivelmente muita gente se poderá insurgir contra este facto, mas o certo é que ser uma mulher criadora é inversamente proporcional à procriação, a não ser que, se tenha dinheiro suficiente para pagar a uma empregada e a uma ama, para ter a casa em ordem, ou então ter um marido rico para pagar todas as contas, nos permitir ir ao ginásio 2 a 3 vezes por semana, e ainda pode comprar, sem pensar se vamos ficar sem dinheiro para as papas da criança, algo que nos dê alguma alegria, sem ser o simples facto de ser mãe. Estas últimas opções parecem-me novamente o equivalente ao tal tiro no pé.

Geração de 40 e geração de 70

Os casais tinham, na sua maioria, filhos na casa dos 20, conseguiam vê-los crescer, e passar férias juntos, porque as próprias empresas fomentavam a importância da vida familiar, através de contratos de trabalho justos, sem recibos verdes, que inclusive - creio que até ao final dos anos 90, talvez um pouco menos -, estavam restringidos aos profissionais independentes, que tal como o nome indica, eram independentes, sem vínculo a qualquer entidade patronal.

Hoje em dia, o que se passa em Portugal é o arrastar das situações precárias de uma espécie de emprego ad eternum, a recibos verdes, sem direito a férias, subsidio de férias ou Natal e que, ao mínimo abrir de olhos troca o mais fiel e dedicado dos colaboradores, por um estagiário que muito deixa a desejar, mas que é solteiro e sem filhos, e que se disponibilize até a ganhar menos, porque vive em casa dos pais e, como tal não tem contas para pagar.

Depois existem os sobreviventes, e digo "os", porque são homens e mulheres (apesar delas, em média, continuarem a ganhar menos, a fazer o mesmo ou mais que os homens com a mesma qualificação) que continuam a trabalhar precariamente, a pensar no dia em que chegam à empresa e lhe dizem que a partir do dia seguinte podem ficar em casa, e porquê? Porque infelizmente se têm de sujeitar a esta situação, pois há muito os pais lhes deixaram de pagar as contas, e, pelo contrário, têm de pagar horas extra a uma ama ou babysitter, por que os filhos não têm ninguém com quem ficar, quando têm de ficar até às 21 ou 22 horas no seu local de trabalho.

Ter filhos... talvez aos 40

Hoje em dia uma mulher adia os filhos por praticamente uma década ou mais, porque quer dar o seu melhor, atingir um lugar de topo e provar que não existe apenas para procriar, mas sim para criar algo que não seja um bolo, um bordado a ponto cruz ou umas botinhas para o bebé que gostaria de ter.

Nos dias que hoje correm, uma mulher adia a maternidade porque numa entrevista de emprego lhe perguntam se quer ser mãe, e vê muitas vezes a sua candidatura rejeitada, porque ao nascer lhe foi dado o dom de dar a vida.

Hoje em dia uma mulher adia a maternidade porque quer ter direito de chegar a casa depois do emprego e não ter de preparar biberons, trocar fraldas e porque quer dormir, ou relaxar no ginásio depois de um dia de loucos no trabalho.

Actualmente uma mulher adia a maternidade porque muitas vezes o companheiro está desempregado, e com o seu mísero ordenado mal consegue sustentar duas bocas, uma renda, contas da luz e do gás e conseguir deitar a cabeça sem pensar como vai explicar à entidade patronal que tem de faltar no dia seguinte, porque o bebé está doente e passou toda a noite com ele nas urgências de um hospital.

Então, será que ainda existem dúvidas sobre o porquê das mulheres adiarem a maternidade?"

6 comentários:

Pedro Oliveira disse...

Amei o texto. É a verdade nua e crua. Senti este texto como se tivesse a ver um médico a tirar a pele de um corpo.
Parabéns á pessoa que escreveu.

Maguita disse...

A história da minha vida.

Carla disse...

É claro que concordo com o que foi escrito. O nosso Estado não quer que os cidadãos poupem, tenham mais filhos, sejam educados e bem empregados. Apenas quer que paguemos impostos e nos calemos.

Mas também é preciso ter atenção que hoje as crianças são muito mais exigentes. Têm de ter este mundo e o outro. E os pais sentem-se muito mais culpados em relação a tudo.

As pessoas que conheci ao longo da vida que queriam muito ter filhos, tiveram-nos. E abdicaram de certas coisas para isso, como é óbvio. Agora aqueles que até gostavam de ter, que vão pensando nisso, são aqueles que vão sendo empurrados para uma decisão cada vez mais tardia.

E há outro factor a tem em consideração. Hoje pensamos antes de termos filhos porque queremos ter a certeza de que lhes podemos dar o melhor. Antigamente isso não era bem assim. A criança tinha de se adaptar ao que havia. Quantas vezes não ouvimos a frase "para que é que esta gente tem filhos se não os pode criar?"

B disse...

Alguem curte requeijão?

Carla disse...

Requeijão? Pfsst! Isso tem poucas calorias para mim. Se quiserem tenho aqui umas amêndoas tipo milão e uns croissants...quer dizer, um croissant.

Lily disse...

Por falar em croissants, no sábado vi uns lindos a sorrir para mim no supermercado. Estive mesmo para os trazer, mas aguentei-me, fui forte! Claro que isso não me impediu de trazer os tais 90% de doces que já referi