sexta-feira, 26 de março de 2010

Eu e a PJ

Ao fazer um comentário num dos posts anteriores, referi a PJ e lembrei-me de uma situação que passei há uns anos com esta entidade. Já  sei o que estão a pensar neste momento: "A Lily tem ligações à Pê Jota???"

O acontecimento remonta ao ano de 2005. Um sábado de manhã tocam à porta. O meu pai vai abrir e era a GNR. Perguntou por mim, o meu pai foi-me chamar... Perguntou ao polícia o que era, mas ele não abriu a boca. Eu cheguei à porta... pediu-me o BI... fui buscar... tornei a vir... escreveu... escreveu... não dizia nada... perguntei qual era o problema... cara séria... continuou sem falar... nisto diz assim "a senhora tem um automóvel com esta matrícula?"... confirmei... "então na terça-feira apresente-se no posto e não se esqueça da viatura"... continuei sem perceber nada... "mas afinal do que se trata?"... respondeu que não sabia ao certo, apenas estava a entregar a notificação, aquilo vinha de Lisboa, da PJ...

E pronto, passei o resto do fim-de-semana a pensar no que raio seria aquilo. Perguntei ao meu pai o que tinha andado a fazer com o meu carro (porque ele na altura costumava andar com ele às vezes). Resposta "EU??? Não andei a fazer nada, estás parva??" E eu a pensar "é bom que não tenhas feito nada, senão quem vai pagar as favas agora sou eu". Mas adiante...

Chegou a terça-feira. Lá fui eu para o posto da GNR, com o meu carro e os meu pais, claro. Sim, que eles não iam deixar a filhota ir presa sem mais nem menos.

Cheguei e mandaram-me aguardar pelos inspectores. Pensei eu "que giro, parece a cena de um filme". Nisto vejo chegar uma outra pessoa com um carro da mesma marca, modelo e cor do meu. A matrícula era quase igual, apenas mudavam os últimos números. De repente fiquei mais descansada, pelo menos havia mais suspeitos. Chega um carro, saem de lá dois tipos, pensei logo "são estes, têm mesmo pinta de inspectores".

Nunca estive muito preocupada, pois sabia que não me tinha metido em nenhuma alhada. O meu único receio era que houvesse a denúncia de alguém que afirmasse ter visto o meu carro num determinado sítio, a fazer sabe-se lá o quê. Depois seria a palavra de um contra outro.

Resumindo: estavam a investigar um crime que teria sido cometido com um carro com as características do meu.

PJ: Agora imagine quantos carros Seat Ibiza cinzentos existem em Portugal. Temos de os investigar a todos...

Começou por tirar fotos ao carro e fez-me várias perguntas sobre o mesmo: se alguma vez tinha tido um acidente, quando tinha ido à revisão pela última vez, se alguma vez foi assaltado, coisas banais. Depois começou a ser mais específico: se costumava ir ao Estoril, se já tinha ido ao autódromo... Depois "a" pergunta (esta sim, parecia ter saído de um filme): "Onde esteve no dia x de Abril"? Por acaso respondi de imediato, pois tinha regressado da Holanda no dia de trás, portanto lembrei-me logo que dia era. Disse que tinha estado em casa, que tinha regressado no dia anterior de uma viagem. Pensei "raios, por um dia que não tinha o álibi perfeito". Ele anotou tudo, no final mandou-me ler e assinar. Disse para não me preocupar mesmo que me voltassem a contactar, mas que em princípio não haveria problema.

Nunca mais tive notícias deles, felizmente. Gostei do inspector, era simpático.

7 comentários:

B disse...

Sim senhora... a lily fala de mim mas deixe lá que voçe.
Lá por teres ido com os pais não me convences, confessa que andaste no estoril a sacar cavalinhos no autodromo... anda,confessa!

Carla disse...

Mau, o inspector era "simpático"? Mas isto não devia ser assim. Não foste enfiada numa sala com um espelho numa das paredes e uma luz branca a encadear-te os olhos? E não havia uma lista telefónica em cima da mesa? E se o inspector era simpático onde estava o inspector antipático? Nem sequer te perguntaram pelo teu cúmplice.

A investigarem crimes assim não admira que não apanhem criminosos nenhuns. Pfshhhhh...

Maguita disse...

Este inspector era simpático mas amanhã vês um novo livro na FNAC (muito ao estilo do Gonçalo Amaral) "Caso Lily: O mistério da Arrentela" e começa assim "A suspeita afirmou ter estado na Holanda... Pois..."

Pedro Oliveira disse...

Li atentamente esta historia como se tivesse a ver o Nós Por Cá, e no fim tudo o que me fez pensar, é aquilo que penso da policia em Portugal: VERDADEIROS AMADORES.

Passo a explicar o modo como a GNR deveria de ter agido :
1º Arrombar a porta de casa
2º Disparar sobre toda a casa: paredes, loiças, jarras, etc
3º Espancar todos os seres vivos dentro de casa: inclusive o canário.
4º Algemar toda a gente e ler os direitos
5º Levar para a esquadra (sala de interrogatório)
6º Usar alucinogénos e começar o interrogatório
7º Como o interrogatório não dá em nada atirar as pessoas pela saída.

Espero que futuros policias se tornem melhores profissionais com estas instruções.

Tenho dito....

Maguita disse...

Apenas uma lacuna no "seu" plano de acção: a Lily não tem canários.

Pedro Oliveira disse...

Não tem, mas poderia ter. O que é que ela tem contra os canários? LOL

torrona disse...

olá pima!!!

Estava eu aqui a actualizar me no teu fantástico blog, quando me deparo c esta fantástica história. Cena de filme mesmo eu até consegui imaginar a cara o do teu pai!!! Bijus